Monetização da biblioteca

Ouvíamos uma aula de análise de informação bem interessante, até que virei para um amigo e disse: – Zé, teríamos serviços de bibliotecas bem diferentes se o bibliotecário dependesse de comissão por empréstimo de livros. Zé esbugalhou os olhos, primeiro fez uma cara de bravo pra mim e logo em seguida soltou um: – É verdade, Andreza – relaxando o semblante.

Não quis dizer que os empréstimos deveriam ser cobrados do usuário e nem acredito que isso seja um bom caminho. Sou a favor do livre acesso da informação. Só que esses dias em meio de uma conversa com um diretor de empresa, ele soltou uma frase que me incomodou muito. Na maior cara de pau me disse que a biblioteca é só uma fonte de despesa para a empresa. E ainda reforçou com um “a gente não ganha nada com isso”. Claro que, como uma boa quase bibliotecária soltei um “a biblioteca agrega um valor bem diferente do dinheiro”. Não concordo com a sua frase, não tive muito tempo e paciência para defender meu ponto mas sua frase não deixou de me afetar menos.

E parei para pensar no lado do empresário sim.

A biblioteca é um investimento a longo prazo. E o retorno nem sempre é financeiro. Óbvio que por exemplo, em uma escola, um pai pode optar por uma que possui uma biblioteca pois percebe a extensão do projeto pedagógico para fora da sala de aula. Um pai reconhece a importância da leitura e isso é um gatilho positivo para sua escolha. Um aluno a mais na escola é dinheiro a mais entrando. Em uma empresa, uma biblioteca pode agregar conhecimento a um funcionário, desenvolvendo assim várias habilidades informacionais nele, acarretando seu desempenho na empresa. Em um presídio, a biblioteca pode ser agente de transformação de um detento, trazendo-o informação e a sensação de pertencimento a uma comunidade.

Tudo isso é valor. E não dinheiro.

Mas e se também optássemos por faturar? Como seria? Iria para fora dos nossos princípios? É errado pensar nisso? Tiraria toda essa visão socialista que as bibliotecas trazem consigo? Venderíamos a nossa essência? Porque sinceramente pensei em alguns meios para faturar naquele ambiente que o gerente criticou, tais como:

Cobranças de taxas

Em uma rápida pesquisa, vi que algumas bibliotecas não públicas cobram taxa de matrícula para cobrir custos da confecção de carteirinhas. E que é comum a cobrança por atraso de devolução, que acarreta a sobrecarga da pressão para usuário devolver o livro.

Serviços de xerox, impressão e digitalização

A ideia não é transformar a biblioteca em uma gráfica e sim cobrar em espaços que já oferecem esses serviços. Em alguns espaços que já frequentei, disponibilizam esses serviços gratuitamente, a intenção seria cobrar a partir de então. Ou passar ofertar esses serviços já monetizados.

Venda de produtos oficiais da biblioteca

Em uma biblioteca escolar, onde também é possível desenvolver personagens oficiais, seria interessante comercializar marcadores de páginas, lápis, canetas e até mesmo algumas agendas desenvolvidas para aquele público.

Oficinas e cursos

Desenvolver algumas atividades fora do horário de funcionamento com profissionais capacitados para ensinar e desenvolver recursos. O bibliotecário pode por exemplo, criar um intensivão de pesquisas acadêmicas, escritas criativas, criação de apresentações.

 

Essas ideias não anulariam a função principal da biblioteca que é disseminar a informação e capacitar seu usuário para recebê-la.  Não é chegar numa biblioteca pública que atende uma comunidade carente e querer cobrar a entrada. É só uma questão de adaptação para mercados que assim permitem. Quase  uma criação de novos negócios em espaços de informação. O que vocês acham? Concordam? Seria utópico demais para nossa realidade? Deixe seu comentário abaixo e vamos partir para a discussão.

 

 

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