A teoria da bolinha

Até quem me vê lendo impacientemente meu feed na fila do pão sabe que eu sofro de ansiedade. É mesmo. É uma das primeiras coisas que as pessoas notam quando me conhecem. Lido com ela desde os 7.

E há pouco criei uma teoria, altamente aceita na mureta científica da Urca. A famosa, entre meus amigos que recorrem a mim em momentos de crise, teoria da bolinha. Nem Sartre, nem Lacan, nem Freud, a galera tá consultando Reis, rapaz. Olha só.

Na teoria da bolinha, cada ser humano é visto como um receptor de uma bolinha que fica dentro dele. Nasce com ele. Mas com o passar do tempo e acúmulo de coisas que não fazem bem, a bolinha cresce e começa a odiar o seu humano. E tudo que ela quer é sair de dentro dele. Ou de você.

Ela tenta sair de todas as formas possíveis. Ataques de choros, fúria, medos, insegurança, manias, alucinações e etc. Ela não gosta de você mesmo. Ela se encheu das coisas que você se entupiu, engoliu, se anulou. E ela tem um poder bem alto de destruição.

E às vezes, tudo o que a bolinha quer é que você perceba que ela é parte sua. E que você precisa entendê-la pra continuar. É a hora que você precisa parar e olhar pra sua bolinha. Escutá-la. Compreendê-la. Por que você quer sair, bolinha? O que eu estou fazendo de errado? Por que eu? Você pode fazer isso sozinha, ou com ajuda de pessoas que são entendedoras de bolinhas. O importante é dizer pra sua bolinha que ela não precisa se preocupar com as bolinhas dos outros, muito menos pras trezentas coisas que você tem pra fazer.

É cada uma pela sua bolinha.

E a minha é a ansiedade.

E a cada dia, tentamos estabelecer um diálogo pra fazer isso tudo aqui funcionar.

Tem dias que estamos de bem. Outros nem tanto.

O legal é que eu já sei que ela existe. E ela tá começando a entender que seu lugar é aqui dentro. Quietinha, comigo. Eu por ela. E ela por mim.

E vamos que vamos.

Mas vamos devagar, porque a bolinha não gosta de bagunça e quer que eu fique em primeiro lugar na minha vida. Se não, ela faz morada na minha garganta e me sufoca.

E como diz o Shrek, é melhor botar pra fora que pra dentro.

 

 

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